Lars Ulrich e o maior erro criativo
19/10/2011
Lars Ulrich, baterista de Metallica, publicou um texto intitulado “Meu Erro Favorito” para o The Daily Beast, em que conta uma história que aconteceu com o director Quentin Tarantino. Veja abaixo a tradução completa.
“O Meu Erro Favorito”
Lars Ulrich fala sobre o dizer não a Quentin Tarantino
“Quentin Tarantino quer jantar. OK, podemos arranjar isso… Uma semana depois, estamos num restaurante em São Francisco, partilhando histórias sobre os vôos mais turbulentos que já tivemos, iniciando a conversa a partir de um vôo particularmente horrível em que ele embarcou na China. Entre brincadeiras e meias-verdades, chegamos ao motivo da visita, que é sobre sua nova empreitada cinematográfica chamada Kill Bill.
Um dos 30 minutos mais surreais da minha vida foi ter Tarantino a 15 centímetros do meu rosto, olhos dançando, intensamente animado, explicando detalhadamente como escreveu e coreografou as duas cenas de luta principais para Enter Sandman e Sad But True. Punhos acertavam rostos nas notas musicais. Pontapés seriam dados nos toques do Timbalão. Corpos rolavam ao ritmo da música. O próximo filme de Tarantino usando a música de Metallica, tudo no volume máximo.
Eu já estava a imaginar à frente , 18 meses, sentado num Bigdome, assistindo este espetáculo a revelar-se diante dos meus olhos com o maior sorriso na cara. Verdadeira poesia cinematográfica em movimento. O maior casamento entre música e filme que o mundo já vira.
Nós ficamos inebriados com a ideia pelo resto da noite, e o entusiasmo durou dias. Finalmente, TA-DA! O argumento. Todas as 180 páginas.Era longo e denso. Mergulhei de cabeça na brincadeira. Mas aí algo começou a acontecer. História, linguagem, acontecimentos, reviravoltas, piadas de kung-fu – quanto mais eu avançava, mais confuso ficava.
Página a página percebi que a maioria daquilo , estava escrito num idioma que estava além da minha compreensão. Eu nunca encontrei uma narrativa como esta, que acontece, para mim, numa cultura bem estrangeira de artes marciais e mitos asiáticos. A minha cabeça dinamarquesa simplesmente não conseguia entender isso. Eu defendi todos os seus filmes, gostei dele, como pessoa mas, no final das 180 páginas eu fiquei confuso e nervoso por não ter entendido. Aí eu comecei a pensar “Faça isso, faça isso!” o meu corpo gritava mas minha cabeça estava confusa. Cauteloso. Eu senti uma rara inaptidão para puxar o gatilho.
Nas semanas seguintes a coisa toda murchou enquanto eu continuava a não confiar nos meus instintos. No fim, acabei por nunca responder-lhe . Provavelmente, o maior erro que eu cometi no departamento criativo. Claro que Kill Bill foi mais que brilhante, assim como os filmes seguintes, que foram partes significantes da minha vida nos anos 2000.
Desde então eu venero o chão que Tarantino pisa.
Se apenas…”


DUDEFROMHELL disse:
23/10/2011
Tão Lars? Tarantino é deus isso toda a gente sabe.